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Música Erudita Mesmo


Respondendo ao Leitor Marcelo Torca

 

 

Entre os inúmeros comentários que recebi relacionados ao artigo publicado neste BLOG, o qual versava sobre a execução do “Hino Nacional Brasileiro”, e sem pretender desmerecer nenhum deles, todos pertinentes e bem fundamentados, escolhi para comentar, o do leitor Marcelo Torca que me permitirá dar prosseguimento ao assunto.

Pergunta ele:

 

“No final de 2007, quando a Seleção Brasileira de futebol fez um jogo em São Paulo pelas eliminatórias da Copa, a OSESP executou o Hino Nacional de forma brilhante, o problema é que foi atrapalhada pelos fogos de artifícios, desviando a atenção até mesmo do apresentador na TV. Quando se faz uma execução exemplar, não pode haver problemas como o acontecido, seria uma forma também de menosprezar o Hino.”

 

Caro Marcelo, o fato dos fogos de artifício “atrapalharem” ou não a brilhante execução do “Hino Nacional” pela OSESP, não está diretamente relacionado às Leis que regem a sua apresentação e sim à falta de educação e de civismo do nosso povo.

Faça um exercício de reflexão, apele para a sua memória e procure relacionar outras atitudes, semelhantes à citada e que, a cada dia, mais e mais se acentuam entre os nossos irmãos brasileiros.

Não se iluda com o desvio da “atenção até mesmo do apresentador na TV”, pois se atentar bem para o incidente e relacioná-lo a outros que acontecem constantemente antes e durante as transmissões, sejam elas televisivas ou radiofônicas, irá perceber que o mau exemplo vem, exatamente, desses profissionais da imprensa falada.

Você já se deu conta das vezes em que - antes de um evento esportivo - ao ser feito “um minuto de silencio” em memória de alguém, que são exatamente os “locutores” que quebram o silêncio e não o respeitam?

Você já notou que foram os “locutores” os primeiros a prejulgar e a elogiar as façanhas canoras das Senhoras Elza Soares, Fafá de Belém e do grupo Exalta Samba, além de outros que perpetraram o mesmo e acintoso desrespeito as normas legais?

Você anotou quantas vezes o público dos estádios vaiou os Hinos Nacionais”, nosso e dos nossos adversários esportivos?

É este o ponto a que quero chegar.

O nosso povo está a cada dia mais desrespeitoso, mais antiético, mais mal educado.

Quem não respeita a memória dos que se foram; não respeita a Lei; não respeita os valores alheios é um indivíduo destituído de valores morais; de princípios; de amor ao próximo; de ética e de outras normas de comportamento próprias de um povo civilizado. E o que dizer de quem incentiva e aprova esses comportamentos?

Se formos analisar friamente veremos que os maus exemplos vêm de cima, em ordem hierárquica.

São as autoridades maiores “deste País” que, de maneira indesculpável “desconhecem” a própria Constituição que juraram defender. “Fazem vistas grossas para as Leis” que fingem obedecer e demonstram, descaradamente, a “falta de respeito” aos símbolos nacionais.

Enaltecem de maneira irresponsável aqueles que ignoram a Lei Maior, chamam de “heróis”, despudoradamente, os BaBacas Globaise por falta de formação artística relegam ao ostracismo os verdadeiros representantes da cultura nacional.

Às vezes me pergunto ante tão vexatórias demonstrações de incultura e falta de preparo cívico:

- Será que as nossas autoridades conhecem as Leis que regem a execução do Hino Nacional?

- Será que já pararam para pensar no significado dos símbolos nacionais?

-Será que sabem que o “Hino Nacional” é tão importante quando a bandeira, as armas e o selo nacionais?

- Será que sabem CANTAR o “Hino Nacional”?

 

Gostaria de ver aprovada uma Lei que só permitisse o exercício político e o uso dos meios de comunicação àqueles que demonstrassem saber cantar, com exata compreensão do texto, o nosso belo e tão maltratado HINO NACIONAL BRASILEIRO.

 

                                                                         Sérgio de Vasconcellos-Corrêa



Escrito por Sérgio às 20h41
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A Lei, ora a Lei

“A lei, ora a Lei” ou

           (Getúlio Vargas)

“Dona Fafa, fa favor de respeitar o nosso Hino”

 

Pode parecer estranho que um Presidente da República, o “Primus inter pares” de uma Nação, emita parecer tão esdrúxulo. Mais estranho, no entanto, é que muitos outros depois dele, embora sem o dizer abertamente, continuem a desrespeitar a Lei maior, por ignorância injustificável, por proselitismo, casuísmo ou falta de patriotismo.

Todos nos sabemos que a Lei deve ser respeitada e cumprida, se não revogada, e o que acontece no Brasil? Acintosamente, vemo-la descaradamente ignorada, principalmente por aqueles que deveriam zelar pelo seu cumprimento.

Segundo a Constituição[1]: “Todos são iguais perante a lei” logo, seja o simples cidadão ou o primeiro mandatário do país, ambos devem respeito à Lei Fundamental da Nação.

Aqueles que assistiram à inauguração da RECORD NEWS puderam ver e ouvir em lugar do nosso Hino Nacional, uma apresentação piegas e amadorística, exposta a “título” de “interpretação,” pela Senhora Fafá de Belém, seguindo o deplorável exemplo da Senhora Elza Soares na abertura dos Jogos Pan-Americanos, só que agora acompanhada mediocremente por um pianista não anunciado. O que é pior, na presença das mais altas autoridades e personalidades políticas do País.

Nada teríamos a objetar se a referida exibição canora fosse apresentada desvinculada de qualquer caráter oficial ou oficioso.

Não sou purista a ponto de negar validade a trabalhos decalcados em outras obras. Temos exemplos muito sugestivos que por muitos anos foram condenados injustamente como é o caso da célebre “Grande Fantasia Triunfal sobre o Hino Nacional Brasileiro” de Louis Moreau Gottschalk, popularizado pela nossa grande Guiomar Novaes ou mesmo as Variações sobre o “God Save the Queen” de Beethoven, cujo nível artístico, evidentemente, nada tem em comum com a referida “interpretação”. A restrição que faço é quanto à substituição do Hino de Francisco Manuel da Silva, oficialmente o Hino Nacional Brasileiro, por “cantares outros”, em nada compatíveis com o momento, os quais, diga-se de passagem, desrespeitam a própria Constituição e as Leis que regem os símbolos nacionais. A continuar desse jeito amanhã teremos, seguindo esse péssimo exemplo, o hasteamento de uma bandeira repleta de “estrelinhas vermelhas”, com o dístico  “Desordem e Retrocesso” em lugar do nosso do pavilhão nacional.

Há ainda a ressaltar o péssimo hábito de aplaudir a execução do Hino, o que não é o caso, pois, o que foi apresentado não pode ser considerado como tal. É bom esclarecer que “Hinos” não devem ser aplaudidos. Trata-se de convenção internacional.

O que nos causa mal estar, no entanto, é constatarmos que a intensa propaganda contra a pirataria e a favor do direito do autor e da propriedade é desrespeitada e aplaudida acintosamente sem que ninguém se insurja contra o fato. Se existem Leis que protegem o sagrado direito do autor em todas as áreas do conhecimento essas Leis devem ser respeitadas. O Hino Nacional não é exceção à regra.

Se não é permitida a alteração da fachada de um edifício para não desfigurar a sua aparência original.

Se não é permitida a utilização de fotografias, de imagens e de textos sem a expressa autorização do autor ou por quem de direito.

Se para o caso de qualquer alteração no caso das mesmas são previstas sanções motivadas a título de plágio.

As perguntas que faço são:

 

·         O Hino Nacional que é regido por Leis específicas pode ser modificado ao “bel prazer” de qualquer pessoa?

·         Isso não configura um indesculpável e criminoso ato de desrespeito ao “Símbolo Sonoro da Nação” e do direito à propriedade?

 

·         O respeito ao direito intelectual e inviolável da obra deixou de pertencer ao seu autor, o compositor Francisco Manuel da Silva?

 

 

Parece que o direito “à inviolabilidade", "ao direito à vida”? “À liberdade?”, “À igualdade?”, “À segurança?”, “À propriedade?“ hoje são letras mortas. Palavras que deixaram de ter sentido, ante a criminosa acomodação da sociedade como um todo. Uma sociedade que é regida por outras leis. A lei dos mais fortes. A lei dos poderosos. A lei dos maus políticos. A lei do dinheiro fácil. A lei da credibilidade. A lei do vale tudo, enfim as leis fundamentadas na que parece ser a lei maior deste pobre país, não a da “Constituição do Brasil”, mas a “lei do Gerson”.

“O direito à vida” hoje, é uma balela.

A “liberdade” virou sinônimo de libertinagem.

A “igualdade” nunca foi mais desigual, basta confrontar a que existe entre os representantes do povo e a do próprio povo.

A “segurança” pode ser sentida quando estamos “atrás de grades”, protegidos dos bandidos.

O “direito à propriedade” deixou de existir, pois hoje somos indistintamente: “sem terras”, ”sem teto”, “sem dinheiro”, “sem esperanças”, “sem direitos”, porque vivemos em um país que está nos transformando em “sem vergonhas”.

O “direito à propriedade”, alardeado diariamente, é o “direito à propriedade . . .  dos outros”.

Não somos mais donos do nosso dinheiro, pois somos praticamente forçados a confiá-lo aos Bancos que acabam tomando posse dele e “nos fazem o favor” de determinar “quanto” e “quando” podemos utilizá-lo.

A “renda” que essas instituições auferem cobrando-nos juros exorbitantes, ou seja, a prática de uma agiotagem sem precedentes, não nos é permitida abater na declaração do Imposto de Renda, no entanto, os nossos míseros salários e os minguados rendimentos de trabalhos autônomos como por exemplos os “direitos autorais” deixam de ser “direitos” para se transformarem em “deveres autorais”.

Em nome desses “direitos” são feitas campanhas publicitárias, aparentemente corretas, mas que se pesquisadas a fundo mostrarão quem são os verdadeiros “piratas”. É a corrupção incentivando a bandidagem.

Muitos outros “direitos” podem ser relacionados, mas apenas de um deles não abro mão que é o de haver nascido neste País, “abençoado por Deus e bonito por natureza”.

Hoje, ao ser comparado a “certos” indivíduos aqui também nascidos, sinto vergonha de me proclamar brasileiro e devo isso à prostituição moral que se instalou em nosso país.

 



[1] Título II – Capítulo I – Art. 5º



Escrito por Sérgio às 06h49
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Guarujá, 15 de maio de 2007 

 

Prezados Senhores,

 Flavio Silva/Coordenador de Música Erudita/Centro da Música / Funarte / MinC

Pedro Muller /Diretor/Centro da Música / Funarte /

 

Venho por meio desta, comunicar que, em sinal de protesto não enviarei nenhuma obra à Bienal programada para o corrente ano.

Minha atitude prende-se aos seguintes fatos:

1.     Desde o “I Festival de Música da Guanabara”, sempre participei e aplaudi as realizações em prol da música do Brasil, sem faltar a uma sequer, com exceção da última, quando a obra que enviei foi julgada - não sei por quem - como não digna de figurar no evento.

2.     Quando sob a direção do Maestro e Compositor Edino Krieger, a seleção visava a escolha de obras instrumentalmente viáveis ficando a “peneira” restrita apenas aos compositores mais jovens e ainda desconhecidos.

3.     Atualmente com 72 anos, detentor de mais de vinte prêmios em “Concursos de Composição”; Professor (Doutor) de Composição, Contraponto, Fuga e Harmonia (hoje aposentado) das Universidades UNICAMP e UNESP e das Faculdades de Música “Santa Marcelina” e “Mozarteum” de São Paulo; com obras editadas e gravadas no Brasil e no exterior; Membro Efetivo da Academia Brasileira de Música, vejo que as BIENAIS – a partir da edição passada – ao que parece, deixaram de ser a amostragem da música feita hoje no Brasil para ser a “vitrine” ou a exposição seletiva de correntes estéticas representativas do mais abjeto proselitismo. Meus sinceros pêsames.Não compactuo com atitudes separatistas que nada acrescentam à cultura brasileira. Hoje prevalece a orientação estética de alguns, amanhã seremos discriminados por nossas opções políticas, religiosas, sexuais e outras, para quem sabe num futuro não muito distante sermos extraditados por falarmos português.

Boa sorte.

Cordialmente                                                                     Sérgio de Vasconcellos-Corrêa



Escrito por Sérgio às 23h34
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Leio, com um misto de curiosidade e desdém, o artigo publicado na FOLHA intitulado: "Crítico britânico ataca "envelhecimento" da música erudita", de autoria do senhor Irineu Franco Perpetuo.

A curiosidade, é proveniente do fato de ainda haver gente que acredita seriamente na opinião dos críticos, principalmente quando estes são estrangeiros e o desdém, é pela “babaquice” de reproduzir essas baboseiras como verdade absoluta.  

O fato do britânico Norman Lebrecht, de 54 anos, haver sido colunista e chefe da equipe que cobre a área cultural do "Evening Standard", não significa nada. Os tolos também envelhecem e muitos chegam a escrever em jornais e revistas.

Falar sobre as mazelas da música de concerto é chover no molhado. Todos estamos cansados delas e uma das principais é exatamente a opinião dos "donos da verdade".

Escrever livros provocadores como "O Mito do Maestro" (92) pode até ser interessante, dependendo do Maestro que tomarmos como protótipo.

Agora dizer que "as pessoas se tornam conservadoras na velhice, pouco antes da morte" é de uma imbecilidade à toda prova. Beethoven tornou-se conservador com a idade? e Debussy ? e Stravinsky e ...e ...e ...

Eu digo que é muito mais triste, ver um velho que não soube envelhecer, querendo mostrar-se jovem, por não haver conseguido desenvolver um mínimo de bom senso, capaz de permitir-lhe avaliar situações que dizem respeito, não ao conservadorismo mas ao desenvolvimento da capacidade intelectual e da sensibilidade necessárias para apreender os modismos e as mudanças sociais, que diga-se de passagem, nada tem a ver com o gosto musical e nem com "mercado da música".

No entanto, tenho minhas dúvidas sobre as informações veiculadas pelo articulista. ou o Sr. Norman Lebrecht é incoerente e não diz coisa com coisa, ou foram-lhe atribuídos pensamentos e palavras que não correspondem à sua verdade.

O que se pode deduzir de um indivíduo que denuncia o "conservadorismo na velhice" e logo em seguida diz: "Temos regentes jovens muito bons, dos quais ninguém ouviu falar, pois as oportunidades de mídia estão fechadas" (?) e logo a seguir: "As orquestras se tornaram velhas e conservadores e não estão preparadas para correr riscos". Ora, quem faz a programação é "o jovem regente muito bom", ou a direção das Orquestras? Se é o jovem regente, então ele é conservador e portanto não tão bom como foi classificado. Se as Orquestras seria interessante verificar se a sua Diretoria é de velhos conservadores ou de jovens medrosos.

Ainda há pouco a direção da Rádio Cultura (SP) extinguiu a Sinfonia Cultura, que por sinal era diferenciada das demais pelo fato de privilegiar a nova música brasileira, e acredito que o Sr. Irineu Franco Perpétuo esteja perfeitamente a par disso.

Pouco adiante, o artigo faz referência ao “poder absoluto dos regentes, aliado à cobiça dos “managers”, os quais”.

segundo o autor, inflacionaram os cachês de astros deprimiram o nivel artístico das execuções, levando as orquestras à bancarrota". Neste ponto já não estou entendendo mais nada. Se o poder dos regentes é absoluto e muitos deles são jovens e talentosos, é a eles que devemos atribuir o "conservadorismo? ou ao público que está entre os 45 e 64 anos? como foi dito anteriormente.

É atribuído ainda ao jornalista inglês a profecia: "a música de concerto pode até não morrer, mas se tornará (sic)- seria bem melhor dizer "tornar-se-á" - um item de antiquário", o que contradiz o final da frase: "a música erudita vai permanecer como um dos ápices da criatividade humana" e conclui - agora já não sei mais se são palavras do inglês ou do brasileiro : "porém restrita a uma minoria que encolhe dia a dia".

O período é concluído com nova acusação à mídia: "pois não há exposição na mídia e porque não é mais uma parte central de nossa educação".

Quanto à exposição na mídia estamos em pleno acordo, já quanto à parte central da nossa educação, só posso dizer que a minha e a de grande parte dos jovens cultos de todo o mundo, continua a ser proporcional ao que sempre foi, basta verificar a quantidade de orquestras de jovens, os inúmeros Festivais de música Erudita espalhados pelo mundo, os vídeos apresentados pelo ilustre e culto Senador Arthur da Távola, o surgimento de interpretes jovens provenientes dos quatro cantos do mundo, para ver e sentir o disparate de tal artigo.

Uma grande verdade porém, encerra brilhantemente o artigo : "Estamos criando crianças que não sabem que a música erudita existe".

Eu apenas acrescentaria: "e adultos também".

 

 



Escrito por Sérgio às 20h29
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Carta Aberta ao Sr. Governador Dr. Geraldo Alckmim

Guarujá, 02 de fevereiro de 2005

Carta aberta ao Sr. Governador Dr. Geraldo Alckmin

Confesso que já não sei a quem me dirigir para perguntar, questionar, ponderar, discutir e até mesmo exigir, um mínimo de respeito, que acredito merecer como Cidadão (Eleitor), como Artista que sou – Membro Efetivo da Academia Brasileira de Música – Cadeira n.º 20 – e principalmente como homem que preza a verdadeira cultura e acima de tudo ama este pobre Brasil – pobre sim em matéria de Arte, de Cultura e de Civilidade, na verdadeira acepção dos termos.

Que a maioria da população - nela incluídos evidentemente os dirigentes políticos - seja avessa às manifestações superiores da sensibilidade humana é até, de certa forma, compreensível pois, quase nada é feito no sentido de direcionar o povo nessa direção, agora, permitir que o Senhor Marcos Mendonça, só porque guindado ao cargo de Diretor da ÚNICA Fundação que zela pela música erudita do País, de uma simples penada extinga uma orquestra, deixando desempregados quase sessenta profissionais do mais alto nível, privando a sociedade de usufruir as mensagens musicais criadas pelos compositores brasileiros do passado, do presente e dos novos valores que estão surgindo, configura um hediondo crime de "Lesa a Cultura Nacional".

Acredito que não apenas eu, mas todos aqueles que aprenderam a admirar e a respeitar o magnífico trabalho da SINFONIA CULTURA através da sua bem planejada programação, principalmente no que se refere à música do Brasil, estejam hoje profundamente irritados e decepcionados com tal atitude.

Não aceito a alegação de "contenção de despesas", pois o mesmo não se dá com outros organismos semelhantes. Acredito mais tratar-se de um subterfúgio para minimizar a música erudita brasileira e digo isso porque, ao fazer um levantamento junto à programação da rádio CULTURA-FM para o mês de janeiro de 2005, contatei que:

    1. foram apresentadas 617 obras de autores estrangeiros contra 41 de autores nacionais, o que representa apenas 6,23 % de música brasileira contra 93,76% de autores estrangeiros.
    2. o Programa ACERVO CULTURA, que transmitia gravações realizadas pela SINFONIA CULTURA, foi substituido por outro intitulado OSESP AO VIVO. Coincidência?
    3. foram criados programas específicos para divulgar:
    4. À CANÇÃO AMERICANA

      À CANÇÃO FRANCESA

      À CANÇÃO ITALIANA

      ÀS VÁRIAS TENDÊNCIAS DO JAZZ

      À ALMA DO BANDONEON e nenhum para A CANÇÃO BRASILEIRA.

    5. foram criados programas para divulgar: OS COMPOSITORES ANÔNIMOS: INGLESES / ÁRABES / GREGOS / BIZANTINOS / DA ANDALUZIA / DA IDADE MÉDIA ITALIANA / DA ITALIA DO SÉCULO XI / IBÉRICOS / INGLESES DO SÉCULO XVII.
    6. E os anônimos brasileiros ? continuarão no ostracismo ? Não mereceríamos conhecer as dos compositores anônimos da Bahia, de Minas, de Pernambuco, do Sul e de São Paulo entre outros?

    7. Gostaria ainda de obter informações sobre o "por que ?" da predominância da música alemã que, justificar-se-ia em se tratando de : J. S. Bach (28 obras apresentadas, quase uma por dia) / de Beethoven (24 obras) / Mozart (28 obras), Brahms (14 obras), Schubert (15 obras), Schumann (10 obras), Telemann 13 obras) , Wagner ( 15 obras), mas o que nos intriga é quando percebemos que, além do número exagerado de autores e obras autores germânicos de menor expressão, ainda temos a retransmissão semanal da programação da Rádio DEUTSTCHE WELLE evidentemente destinada à música alemã, pois eles não sofrem do mal do "colonialismo cultural"
    8. É para nós absurda a inclusão de 20 obras do compositor HERMAN GOETZ, se comparada à dos nossos VILLA-LOBOS com apenas 8 obras programadas, CAMARGO GUARNIERI 2 (duas), e CARLOS GOMES 5 (cinco), os três juntos somando apenas 15 obras.

Quero deixar bem claro que não tenho qualquer preconceito contra a música alemã, ou qualquer outra que seja, sou contra sim, os programadores da Rádio Cultura-FM, ou contra quem os orienta, pois eles são os " VERDADEIRAMENTE PRECONCEITUOSOS " contra a música e os músicos do Brasil.

Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

Compositor Brasileiro – ABM n.º 20

RG. 1.448.644

CIC: 022826158-91

Endereço: Avenida Puglisi, 169 ap. 71

Pitangueiras (Centro) Guarujá (SP)

CEP: 11410-001

E-MAIL svascon@uol.com.br

BLOG http:// svascon.zip.net

N.B. Esta carta esta sendo enviada:

  1. ao Sr. Governador Dr. Geraldo Alckim <saopaulo@sp.gov.br>
  2. á ACADEMIA BRASILEIRA DE MÚSICA <abmusica@abmusica.org.br
  3. à Seção "Painel do Leitor" do Jornal Folha de São Paulo <leitor@uol.com.br>
  4. Á Revista CONCERTO <concerto@uol.com.br>
  5. Á Direção da Fundação Pe.Anchieta <falecom@culturafm.com.br>
  6. Ao "Corrêio Musical" <eescala@terra.com.br >
  7. À Revista BRASILIANA <brasiliana@abmusica.org.br
  8. Publicada no BLOG http://svascon.zip.net

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 



Escrito por S. de Vasconcellos-Corrêa às 14h14
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Pirataria

Pirataria (06-01-2005)

Sou contra a "Pirataria" sim Senhor.

Como cidadão consciente e ciente de que uma grande Nação só será verdadeiramente grande e respeitavel no dia em que imperar a honestidade. Como indivíduo ilustrado que vê, dia a dia, o nível cultural do povo brasileiro descer às profundezas, sob as vistas de homens públicos incompetentes, que ostentam apenas "cultura" de fachada. Como artista, que via de regra se vê prejudicado pela ação nefasta dos "piratas", que fazem de tudo para aproveitar-se do trabalho alheio, da faina diária de vidas dedicadas ao plantio de "sementes de arte", destinadas a dar frutos que possam mitigar a fome de cultura de um povo ávido por ela e que acabam por colher apenas os restos da mediocridade, cobranças injustificáveis, prejuízos e desilusões.

Sou contra a "Pirataria" sim Senhor.

Porém, fico pensando. . . quem são os "Piratas" ?

São aqueles que se aproveitam das matrizes publicadas ou gravadas pelas Editoras e Gravadoras, ou são às próprias Editoras e Gravadoras que vivem de espoliar os criadores através de cláusulas contratuais que configuram verdadeiros seqüestros de bens ?

Leiam a primeira cláusula de um contrato de Edição de obra musical reproduzido a seguir, meditem sobre ela e tirem as suas conclusões:

Cláusula a) o "CEDENTE" (autor) cede e transfere à "CESSIONÁRIA" (Editora), em carater irrevogavel e definitivo, para todos os países do mundo e por todo o tempo em que goze de proteção legal por força das respectivas legislações nacionais e tratados internacionais, todos os seus direitos sobre a dita obra (obra contratada), inclusive direitos de edição, de representação, de execução, de reprodução por quaisquer dos meios presentes e futuros, instrumentos fonomecânicos, magnéticos, radiofônicos, cinematográficos, televisores, ficando a "Cessionária" (Editora) doravante única e exclusiva proprietária da(s) obra(s) mencionadas para todos os efeitos de direito"

Se o autor não concordar com essa cláusula, simplesmente não terá a sua obra publicada. Se publica-la por conta própria não conseguirá distribui-la, a não ser presenteando-a aos amigos.

Se aceita-la irá receber: "10% do preço de venda ao público", em se tratando de partitura. No caso das gravações esse valor será dividido pelo número de faixas contidas no disco.

Acontece que o autor nunca tem acesso:

    1. Ao "verdadeiro número de exemplares publicados".
    2. Ao "número de exemplares vendidos"
    3. Ao "número de Edições Publicadas"
    4. Dificilmente saberá "o preço de venda ao público" (preço de capa)
    5. Para que uma obra sua seja gravada em disco, deve ele assinar documento "abrindo mão dos direitos autorais" caso contrário, a obra não será incluída no disco.
    6. Quando a obra é gravada, não recebe nada – eu pelo menos nunca recebi – das Sociedades Arrecadadoras de Direitos Autorais, pois o autor "abriu mão dos direitos Autorais".
    7. Quando é tocada em público ou transmitida pelo rádio, TV, ou cinema, os "direitos de execução" simplesmente desaparecem.
    8. Das editoras entre as quais tive que submeter-me a esses "Contratos Escorchantes" (IRMÃO VITALE / FERMATA / ARTHUR NAPOLEÃO / MUSICÁLIA e algumas outras de menor expressão) jamais recebi um centavo, e lá se vão trinta anos.
    9. Em 1956 associei-me à SBAT (Sociedade Brasileira de Autores Teatrais), na época a única Entidade que "protegia" (?), os compositores de música erudita. Hoje, segundo fui informado, embora meu nome conste do quadro da referida Sociedade, fui transferido , ou melhor, "jogado", para o quadro de uma "outra Sociedade", que até o momento não consegui saber qual é.
    10. A partir de janeiro de 2004 deixei de receber os dividendos (direitos de publicação) que a Editora RICORDI BRASILEIRA SAEC. costumava mandar religiosamentemente a cada três meses, referentes a 5 (cinco) das 43 (quarenta e três) obras minhas editadas pela empresa. Segundo fiquei sabendo "por terceiros", não apenas os meus trabalhos publicados como também os de outros compositores brasileiros, ou foram simplesmente "guilhotinados" (será ?), ou "Vendidos" (?), ou a "Edição Esgotada"(?) e os "direitos autorais" . . . desviados pois, contas não foram prestadas.

Pergunto então.

Quem são os "Piratas" ?

    • aqueles que fazem cópias xerografadas ?
    • os "Camelôs" ?
    • os "legisladores" (eleitos por nós) que aprovam as "Leis sobre Direitos Autorais" ?
    • os Editores ?
    • as Gravadoras ?
    • as Sociedades Arrecadadoras de Direitos Autorais ?
    • o ECAD ?
    • o GOVERNO ? que só protege os mais fortes ?
    • a mídia em geral, que brada aos quatro ventos denúncias e mais denúncias contra a "Pirataria", ao invés de defender aqueles que fornecem a parte mais substancial das programações radiofônicas, televisivas e jornalísticas ?

 

Responda-me quem souber, Se puder.

 

Sérgio de Vasconcellos-Corrêa

compositor brasileiro

Membro da Academia Brasileira de Música

Cadeira n.º 20



Escrito por S. de Vasconcellos-Corrêa às 17h20
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E . A . P . A . D . I

(Espaço Aberto Para A Difusão de Idéias)

 

Abro hoje este “Blog”, com a clara intenção de criar um espaço para Ampliar com Grande Determinação e Gradual Abrangência a Divulgação do canto do Uirapuru, que comparo à música erudita do Brasil.

Quando me refiro à nossa música erudita, penso na sua abrangência estética, no seu significado cultural, nas suas raízes, nos seus autores, nos seus interpretes e inclusive nos seus detratores. Quero, sem qualquer tipo de preconceito, emitir opiniões, tecer críticas e comentários, abrir debates, dar notícias e divulgar eventos que devido a incultura, a incapacidade profissional, a falta de tino e outras posturas e posicionamentos inconfessáveis da grande maioria dos “profissionais” da imprensa, dos seus meios de comunicação, enfim, da mídia em geral, estão hoje totalmente banidos da vida artístico-cultural do nosso país.

Existem exceções ? 

Sem dúvida, e uma delas é devida - e aqui abro um parêntese - aos diversos programas radiofônicos e televisivos daquele que, na minha opinião, deveria ser o nosso Ministro da Cultura, o Sr. Arthur da Távola.

Acredito que as intenções acima expressas sejam suficientes para que os leitores possam avaliar o nível em que pretendo manter este “Blog”. Sugestões, críticas, e colaborações serão bem vindas.

Vamos alavancar a cultura musical da nossa gente, mostrando que música brasileira não é essa “tiririca” que invadiu o rádio, as TVs, a mídia e até as igrejas, e hoje está alojada nas cabecinhas dos pseudo promotores culturais, dos políticos e de muitos outros que se julgam possuidores de vasta cultura, quando não passam de reles arautos da mediocridade. Lembre-se :

Música é SOM.

SOM é vibração (Não se propaga no vácuo).

A dualidade SOM + AR nos remete à unidade SOMAR.

Junte-se a nós e venha SOMAR em favor da música do Brasil.

Até o próximo.

                               S. de Vasconcellos-Corrêa

                                            (02-11-2004)

 



Escrito por S. de Vasconcellos-Corrêa às 20h01
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Bem vindos ao Blog Música Erudita Mesmo, que estamos acabando de criar. Aguarde para a próxima semana o início dos nossos encontros. Até lá.

Escrito por S. de Vasconcellos-Corrêa às 18h41
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